
Editorial
O Jornal O Coreto este mês faz uma breve homenagem às festas juninas da nossa região, buscando mostrar as raízes culturais que ainda resistem ao processo de modernização desta cultura. Veja as crônicas e poesias sobre o amor, nossa homenagem aos namorados, ficantes, namoridos e etc, histórias, contos, mensagens, dicas e até as atrações do São João na nossa região.
Um grande abraço.
E o São João?...
Um grande abraço.
E o São João?...

O Coreto vem mais uma vez vos falar, agora sobre as mudanças ocorridas nas últimas décadas em relação às festas juninas em Conceição do Almeida.
Quem nasceu até meados da década de 80 ainda vivenciou um São João tradicional, onde as pessoas saiam de casa em casa, visitando os amigos, conhecidos ou não, bebendo licor, dançando forró, tinha um coro especial “ Eu hoje tô puxando fogo, fogo, pra ter animação da festa São João só presta puxando fogo...” as crianças nas portas das casas tocando fogos e se divertindo. E assim se arrastava uma multidão, era só alegria dança e muita festa. Era um festa democrática, de todo mundo: homens, mulheres, jovens, crianças e visitantes.
As pessoas já esperavam por estas visitas, eram comuns os pratos típicos nas mesas e o famoso licor de jenipapo, as bandeirolas enfeitando as varandas e forró na antiga “radiola”.
era Gozagão que comandava a festa.
Quem viveu este momento e não dançou forró na casa do nosso saudoso Senhor Mandinho e de Dona Tereza? Que nos recebia com tanto apreço e forró rolava até de manhã. Ali surgia às amizades, as paqueras que terminavam á beira das fogueiras.
Ainda tinha a galera das espadas que aproveitavam a festa tocando fogos e dançado o forró, e até correr de espadas era uma diversão.
Hoje a festa mudou não sei se pra melhor ou pra pior: é um palco armado, com tecnologias de última geração, bandas que tocam os chamados forrós eletrônicos, que na minha opinião parece mais frevo ou carnaval, dançar juntinho é quase impossível, onde as atrações são do tipo eróticas: Calcinhas pretas, cuecas brancas e por aí vai. O licor deu lugar as Brahmas e outras cervejas. O traje geralmente é o mais chique do ano, afinal, a gente de caipira não tem nada.
Há, tem também o arrastão elétrico ou o bloco de rua em pleno São João, só tem um detalhe o de “graça já era”, para participar você tem que comprar a camisa, uma espécie de ingresso para se inserir na festa, que geralmente acaba num espaço fechado e restrito.
Não quero fazer apologia ao passado, e não acho que devemos parar no tempo, creio que mudanças são necessárias, mas penso também que estas mudanças não devem fazer com que esqueçamos das nossas raízes culturais. E que possamos discernir o bom do ruim, mesmo que pareçamos arcaicos e até caipira. Afinal é a nossa festa, a festa do interior desta gente que luta, que planta o amendoim, o milho e jenipapo. E que não pode acabar...
Margarete N. Santos Gomes. Junho de 2007.

Um comentário:
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